| Palavra Pastoral - Janeiro de 2008 - Figueira Edição 105 | |||
Talvez
você, como eu, não tenha se dado conta de que estamos
entrando no oitavo ano do Século XXI.
Passamos a pós-modernidade e, para muitos estudiosos,
estamos na fase da contemporaneidade.
Mundo contemporâneo com desafios tremendos e antagônicos.
Uma tecnologia avançada e apurada, uma rapidez no campo da
comunicação e descobertas surpreendentes na medicina.
Em contraposição, conflitos sociais, raciais, religiosos
geram guerras e uma violência de estilo medieval em muitos
lugares; as cidades têm se tornado palco de cenas dantescas
de barbárie; o campo passa por um êxodo que leva ao temor da
fome por falta de alimento; a água é motivo de discussão
para a preservação do planeta; a indústria dá lugar a área
de serviços, mudando radicalmente o mercado de trabalho.
Algumas profissões estão desaparecendo ou mudando de nome;
outros tantos novos ocupam este lugar. A palavra chave hoje
é sucesso, logística, empreendimento, nos fazendo lembrar um
filme antigo de Charles Chaplin, onde o homem deixa de ser
humano para ser transformado numa máquina de produção.
Neste contexto, está a igreja, dinâmica e inovadora, mas com
raízes milenares, o que causa uma tensão entre a teoria e a
prática. Temos a Bíblia como Livro de Fé, porém encontramos
no cotidiano, muitos objetos ou acessórios chamados de
pontos de contato para estimular ou despertar esta fé.
Cremos que Deus é Soberano, Onisciente, Onipresente,
Onipotente, Criador de todas as coisas e o homem, um ser
submisso à Sua Vontade; no entanto, há uma busca por mudar a
direção divina, uma inversão de
valores, como que a decretar e dar ordens para que o Eterno
seja submisso ao que achamos ser conveniente, tanto à
igreja, como aos homens.
Há cem anos esse mesmo questionamento estava presente, na
mudança de uma sociedade rural, para uma sociedade
industrial. Surgem, então, vários movimentos religiosos na
Europa e particularmente nos Estados Unidos, chamado de Novo
Mundo. Entre eles surge a Igreja do Nazareno, união de
movimentos de santidade; alguns fundados no fim do Século
XIX, para levar a mensagem de santidade por meio de missões,
educação, compaixão, evangelização, consagração. No dizer do
Dr. Phineas Bresee: “Nas coisas essenciais, unidade; nas
secundárias, tolerância, mas em todas as coisas, o amor".
Estamos completando cinqüenta anos no Brasil e há pelo menos
quarenta e três anos que sou nazareno. Vivi todos esses anos
envolvido e respirando esta família da fé. Ao pensar nesta
nova etapa de mudanças contemporâneas, devemos manter o
espírito empreendedor apaixonado de nossos pioneiros, e
abrir espaço para as oportunidades de uma geração melhor
preparada intelectual e tecnologicamente. Creio que este foi
o espírito que norteou aquela reunião de união há cem anos,
o espírito que trouxe, em um navio, os primeiros
missionários nazarenos para este país. O espírito que tomou
os discípulos, quando no dia de Pentecostes ouviram “...mas
recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e
sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a
Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” Atos 1.8
Feliz Ano Novo e que nossos sonhos sejam os sonhos de
Deus! Que a nossa vida esteja sempre no centro de Sua
Vontade!
Reverendo Anips Spina
Pastor Titular da
Igreja do Nazareno de Valinhos



