O
mundo inteiro nestes dias tem os olhares e pensa-mentos dirigidos para a África do Sul onde se realiza pela primeira vez no continente africano a Copa do Mundo de Futebol.
Um instrumento odiado e amado dá o tom antes, durante e depois das partidas, é a “vuvuzela”. Para muitos esse instrumento, é mais do que um instrumento barulhento, é um símbolo do grito da África para chamar a atenção do mundo sobre a realidade de um continente, esquecido nas suas dificuldades e explorado nas suas riquezas.
A Copa do Mundo, repleta de patrocinadores, dá uma leve sensação de riqueza pairando sobre o ar da África, através de imagens e comerciais cada vez mais bem elaborados, utilizando tecnologia de última geração, e que muitas vezes não traduzem o que realmente este continente sofre no seu dia a dia, com lutas para a sobrevivência de multidões de pessoas miseráveis, doentes, que vivem à margem da sociedade e do bem estar. Uma luta diária contra a pobreza, injustiças e desigualdades.
Nas grandes arenas, onde se realizam as partidas de futebol os canais de televisão transmitem emoções a milhões de pessoas em todas as partes do mundo, mas do lado de fora, no entanto, estão outras pessoas que não dispõem de dinheiro sequer para comer um pedaço de pão e não podem nem sonhar em comprar bilhetes para ver os jogos em seu país. Elas vivem em casas onde nem sequer têm eletricidade e não podem acompanhar os jogos nem mesmo pela televisão.
É aí que a “vuvuzela” com seu barulho ensurdecedor pode despertar a consciência de milhões de pessoas, que sentadas em suas poltronas confortáveis em suas casas, vêem pela televisão apenas as cenas muito bem produzidas do jogo e os lances espetaculares dos jogadores. A nossa visão deve ir além do que algumas polegadas de tela podem nos mostrar. A Copa do Mundo de Futebol dever ir além destes lances especiais e ajudar este continente explorado e sofrido a reconquistar sua dignidade, e a caminhar rumo a um novo tempo.
A Copa do Mundo representa assim uma ocasião importante para todo o continente africano. O futebol pode ser capaz de construir pontes e derrubar barreiras. Pode ajudar a combater o racismo e as discriminações.
A Copa do Mundo é uma ocasião que não deve e não pode ser desperdiçada, para fazer conhecer a verdadeira face da África.
É um continente que foi e continua sendo explorado por causa de suas riquezas naturais e transformado em territó-rio de conflitos e muitos interesses.
Mas nada do que o futebol seja capaz de realizar se compara ao que Jesus pode fazer por aquele continente. Eles precisam saber que “o ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir”, e pelo que podemos notar, ele infelizmente tem conseguido realizar proezas na África; Mas gritemos bem alto que “Jesus veio para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10).
Se a Copa do Mundo ajudar a ver esta África e provo-car um santo incômodo nos cristãos de todo o mundo sobre o futuro deste continente, e da necessidade de enviar e apoiar os missionários que estão se dispondo a gastar uma parte ou toda a sua vida naquele lugar, então terá valido a pena, ter construí-do grandes arenas de futebol e suportado o som da “vuvuzela”.
- Antonio Carlos de Castro
- Pastor da igreja do Nazareno de Jaguariuna-SP