Quando nos deparamos com a tarefa de levar a salvação às pes-soas, descobrimos que elas neces-sitam de cura. Cura espiritual e da alma. Todo ser humano afastado de Deus necessita de cura para sua alma doente por estar morto espiritualmen-te para Deus. Diante disso, quando ele reata seu relacionamento com o criador, ele é salvo mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo (Tt 3.5c, d, e), mas ele precisa do tratamento e do cuidado de Deus para curar suas feridas, suas emo-ções e fortalecer seu espírito. Assim, o cuidado de Deus passa a ser efetivo em sua vida e a igreja torna-se res-ponsável diretamente na tarefa de ajudar este novo cristão a entender os propósitos de Deus para sua vida e ajudá-lo neste processo, amparando-o, discipulando-o e aconselhando-o.
   Mesmo as pessoas converti-das há mais tempo, sofrem pressões emocionais e psicológicas, necessi-tando do cuidado de Deus e da comu-nidade onde se relaciona com os demais.
 
A CONSCIÊNCIA DO CUIDADO DE DEUS NO ANTIGO TESTAMENTO
 
   A consciência do cuidado de Deus provém em decorrência de sua missão no mundo. Segundo Van Engen (2007, p. 11), a missão de Deus é reconciliar as pessoas com Ele, com elas mesmas, umas com as outras e com o mundo, reunindo-as na igreja, através do arrependimento e da fé em Jesus Cristo pela obra do Espírito Santo, com a visão de trans-formar o mundo.
   Com a queda de Adão, muitas conseqüências vieram para a vida do homem, e uma delas foram as doen-ças emocionais. Assim, o homem se-parado de Deus está enfermo espiri-tualmente e emocionalmente.
   Portanto, todo ser humano que se aproxima de Deus, ou que se reconcilia com Ele, necessita passar por um processo de cura da alma (cura interior), para que possa se reconciliar consigo mesmo, com as outras pessoas e com o mundo.
   Depois disto, muitas vezes, durante a caminhada cristã, o indiví-duo pode adquirir novas feridas e precisar do tratamento de Deus para que sua alma seja curada. O perdão é o remédio fundamental para a cura das feridas. Mas, o enfermo necessita da conscientização do erro ou equívo-co, ou do pecado propriamente dito.
S egundo Van Engen (2009), a Teologia do Cuidado não é estática, está sempre em movi-mento, é dinâmica. Cuidado é amar e ensinar. A igreja como comunidade relacional, deve ser conscientizada da importância de seu papel junto das pessoas que precisam de ajuda, cui-dado e socorro. Deus nos ampara, mas deixou-nos uma missão: a mis-são de cuidarmos da igreja de Cristo e dentro deste contexto nos deparamos com a vida do próximo que exige cuidados.
   Na primeira Epístola escrita pelo apóstolo Pedro aos forasteiros da dispersão, ele roga aos presbíte-ros como ele e testemunhas do sofri-mento de Cristo, e ainda co-partici-pantes da glória que há de ser revelada através da seguinte palavra: Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente como Deus quer (1 Pe. 5.1-2). Assim, fica clara a vontade de Deus como tarefa para a igreja de Cristo e que a função de pastorear envolve responsabilidade e compromisso.
   Dentro desta definição, Stamateas (1995) trabalha o seu significado assim: Sabemos que esta palavra vem do grego poimen e o verbo pastorear que refere-se à ação de atender ao rebanho. Com o decorrer do tempo, esta tarefa feita exclusivamente por uma pessoa (o pastor), se transformou em uma das tarefas do ministério cristão que todo crente deveria realizar. (p. 21)
   A responsabilidade do cristão é retratada pela palavra de Deus em todo o Novo Testamento. Cuidar signi-fica um trabalho de doação e amor ao próximo. Compromisso é algo que todo cristão deve entender e praticar, para que a obra de Deus siga adiante alcançando a cada dia mais vidas e o cuidado, não seja esquecido.
   O Espírito Santo testifica em nossos corações esta necessidade e nos convence, porque o amor de Deus deve prevalecer. O amor cobre multidão de pecados e pela misericór-dia, Deus derrama do seu amor sobre todo pecador que se arrepende e reconhece seus erros. Deus também derrama amor sobre o ferido ou enfer-mo da alma, pela sua graça, que é definida como favor imerecido. Por isso, não somos consumidos, porque a sua misericórdia se renova a cada manhã. E o cuidado na vida de todo o que nele crê é constante.
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