




No Velho Testamento o povo de Deus passou muito tempo vivendo num arraial. Mas, apesar de ser um povo que celebrava algumas festas, nenhuma delas era junina, nem o seu arraial tinha alguma semelhança com os das festas do mês de junho dos nossos tempos.
O arraial do povo de Deus era o assentamento deles em situações como por exemplo, ao longo de seu deslocamento durante o êxodo. No livros do Pentateuco vemos a cons-tante presença de Deus junto ao Seu povo, conforme lemos em Êxodo 13.21-22: "E o SENHOR ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os iluminar, para que caminhassem de dia e de noite. Nunca tirou de diante do povo a coluna de nuvem, de dia, nem a coluna de fogo, de noite."
E ainda em Números 10.34, lemos: "E a nuvem do SENHOR ia sobre eles de dia, quando partiam do arraial”.
Hoje imaginamos o arraial do povo de Deus como sendo nossas igrejas, local que reúne pessoas que professam a mesma fé no único e verdadeiro Deus. Mas o conceito vai
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aso algum incauto pense que são palavras egressas de alguma tribo africana, é bom explicar que nada mais são que pala-vras aportuguesadas de originais francesas: (em) avant tout e (em) derrière, que significam, respectiva-mente: "para frente" e "atrás", ou "para trás". Palavras que fazem parte da quadrilha matuta, dança típica de festas juninas, presente nos arraiais. Tem sua origem em antigas danças populares de áreas rurais inglesas e francesas (Normandia). Foi trazida para o Brasil por volta de 1820 por membros da elite imperial que a introduziu no Rio. Na época do impé-rio a quadrilha era a dança usada para abrir os bailes da Corte. Depois popularizou-se e tomou forma mais regional. Como as coreografias eram indicadas em francês, da repetição das palavras originais pelo povo surgiram suas versões em "matutês".
Num autêntico arraial de festa junina encontram-se facilmente comi-das típicas, a maioria à base de milho. Levei algum tempo para entender que o que eu conhecia como canjica, abaixo do Trópico de Capricórnio é chamada de cural, e que a canjica nas regiões mais ao sul do Brasil é outra comida!
Não desmerecemos a imen-sa importância que homens de Deus como João e Pedro tiveram na histó-ria bíblica, mas não comungamos das mesmas motivações que levam a maioria do povo a realizar as festas juninas, quais sejam celebrar “Santo Antônio”, São João e São Pedro nos arraiais montados pelo Brasil a fora. Nesses dias temos a satisfação de lembrar de outro arraial, mais antigo, de mais significado para nós.
além do espaço físico, abrange a instituição em si, a congregação.
É ainda mais interessante como podemos admitir que Deus continua no meio do Seu povo, no seu arraial.
A igreja tem papel importante no nosso crescimento espiritual, jus-tamente por congregar irmãos, por ser o lugar onde podemos aprender ainda mais, aproveitar a experiências dos mais antigos na fé e assimilar ensinos baseados na Palavra de Deus de forma mais didática.
E a atuação de Deus se es-tende fora do arraial, através de sua proteção para nós, dando-nos som-bra e iluminando nossa caminhada diária, bem como fazia no êxodo.
É maravilhoso estar no arraial do povo de Deus, e é ainda mais confortante saber que Deus está conosco quando estamos fora, Ele não nos abandona.
Da próxima vez que se depa-rar com uma “festa junina num arraial matuto”, lembre do verdadeiro arraial do qual faz parte, e da festa celestial que acontece toda vez que alguém se junta a esse arraial!
- Enos Moura Filho
http://www.paoquentediario.com.br/pqd/2009/090623.htm