E
screvo esta matéria em meio à turbulência que todos nós presenciamos no mundo jurídi-co e da mídia quanto ao Caso Nardoni.
Inúmeras opiniões são expres-sas ao longo dos dias nos meios de comunicação, seja no rádio, internet, jornal escrito ou televisivo, por oportu-nistas (chamados ‘papagaio de pira-ta’), ONG´s de todo tipo e gosto, artis-tas, enfim muitos que aproveitam os holofotes para aparecerem de alguma forma.
Toda esta comoção nacional, idas e vindas das penitenciárias sem-pre acompanhadas por vários helicó-pteros, um batalhão de policiais (que poderiam estar na suas verdadeiras funções), dinheiro público gasto com toda esta parafernália - no ponto de vista daqueles que “querem justiça”, vale à pena.
De fato este crime merece uma exemplar punição, porém faça-mos a leitura de toda esta problemá-tica de outro ponto de vista.
Enquanto todos mudam seu foco para saber qual será o desfecho do julgamento, alguns assuntos que há pouco tempo eram de interesse comum, simplesmente desaparece-ram. Lembrando sempre que estamos em um ano eleitoral de grande impor-tância para o nosso País, e tudo que alguns políticos necessitam são o foco e holofote longe deles neste momento.
Veja, não faz quatro meses ainda, que o Brasil e o mundo acompa-nhavam estarrecidos a grande tragé-dia no Haiti, e pouco tempo depois os abalos repetidos também no Chile. A grande corrupção enraizada junto a alguns políticos em Brasília-DF também era motivo de matérias inter-mináveis. As obras pelo Brasil afora mesmas não terminadas que estão sendo já inauguradas, etc.
Voltando ao Caso Nardoni, toda esta situação se dá em função de uma realidade que todos convivemos e muitos ainda aplaudem. A desestru-turação e quebra de uma instituição formada pelo próprio Deus: a família.
O respeito dentro do lar pare-ce não existir. Na íntegra a palavra dita por Jesus, no Evangelho de Lucas 12:53, está acontecendo: “pai contra filho, e filho contra pai;
O afastamento dos princípios cristãos - enfatizo cristãos e não evan-gélico - é a maior causa pelo qual o homem tem colhido todos estes frutos podres de sementes ruins plantadas há muitos anos.
O egoísmo, o egocentrismo, o pensar apenas no próprio umbigo, tem levado boa parte da humanidade para um único lugar, ou seja, cada vez mais para o buraco.
O que me enoja é que a mes-ma sociedade que incentiva meninos e meninas a se embrearem por cami-nhos às vezes sem volta como o do crime, drogas, álcool, prostituição, mentira, engano, vêm tempos depois cobrar dos não mais meninos e meni-nas, e sim agora, dos homens e mu-lheres formados, uma postura correta e ilibada diante da mesma sociedade podre, fétida e que insiste viver longe de Deus e seus princípios.
Diga-me, caro leitor, quem é que diante de tantos pecados cometi-dos, pode agora levantar sua mão cheia de pedra e lançar contra àquele casal já condenado?
Onde estavam os pacificado-res, as ONG´s, a igreja que no mo-mento onde tudo isto começou na vida deste casal não agiram, não impedi-ram e não intercederam a favor deles?
Quero deixar mais uma vez claro que em hipótese alguma estou defendendo os atos destes ou daque-les. Mais uma coisa é fácil: lançar a pedra, condenar e até sepultar. Porém o que quero ver, de agora em diante, é: Quem vai cuidar deste casal? Quem vai cuidar da família da pequena Isabella? Os traumas que esta mesma sociedade estúpida criou na vida de todos eles, pergunto: Quem é que vai custear os psicólogos, psiquiatras e demais tratamentos?
A minha preocupação é que daqui a pouco os holofotes irão ser apagados, as câmeras não mais esta-rão filmando, não haverá mais entre-vistas e nem repórteres, os olhos do mundo estarão voltado para outro assunto - como se fosse um urubu em busca de mais uma carniça e mais uma vez questiono: E o trauma, como curá-lo?
A única resposta que tenho é que Jesus Cristo, o ressurreto, não nos vê como o mundo nos enxerga – apenas o exterior. Jesus nos vê e sonda o nosso íntimo e por mais peca-dores e criminosos que sejamos, aquele que verdadeiramente é cristão sabe que existe uma saída: Chegai-vos para Deus, e Ele se chegará para vós.
Tiago 4:8