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esiguais na posse de talentos também há. O siste-ma monetário da antiguidade grega chamava Talento à moeda de valor correspondente à seis mil unidades básicas ou dracmas. O poder aquisitivo da moeda da época permitia ao possuidor de cinco dracmas ser proprietário de um boi. Com um talento - 1.200 bois - podia-se estabelecer muito bem uma carreira econômica. Mas talento também se define por capacidade, habilida-des, engenho.
Estas considerações oferecem-nos, no quadro da parábola de Jesus sobre os talentos, a imagem de um homem que, em vez de negociar, escondeu o talento que lhe foi confiado e desculpou-se com mestria: “Senhor, tu és homem duro, que ceifas onde não semeias e ajuntas onde não espalhaste”.
(Mateus 25:24). O que ele não conse-guiu esconder foi a falta de confiança em si mesmo. Ninguém consegue realizar qualquer alvo de valor se não confia um pouco em si mesmo. Interessa notar, no v.15 do mesmo capítulo de Mateus, que o Senhor confiou ao servo mais do que este em si mesmo. “Deu a cada um segundo a sua capacidade”. Dar segundo a capacidade de cada um é reconhecer a existência de capacidade e é demonstrar confiança. Aliás, Deus sempre tem agido assim com o homem.
Se formos ao capítulo 31 de êxodo, encontrare-mos Deus chamando Bezaleel e Aoliabe, informando a Moisés: “O enchi do espírito de Deus, de sabedoria, de entendimento e de ciência... para inventar e trabalhar... para que façam tudo o que te tenho ordenado”. O texto sagrado mostra que havia diferença de categorias. O administrador Moisés não podia fazer o trabalho do mestre Bezaleel e este precisava do ajudante que encon-trou em Aoliabe. Mas o mesmo espírito de sabedoria, entendimento, ciência e arte foi dado e a “cada um segun-do a sua capacidade”. Não só a capacidade de receber talento, por que esta depende da capacidade de usar. E acontece com frequencia a quem não tem esta última, enterrar o talento.