C om a vinda de Jesus Cristo, Deus começa a estabelecer o seu Reino como o profeta Isaías disse: Então se abrirão os olhos dos cegos e se destaparão os ouvidos dos surdos. Então os coxos saltarão como o cervo, e a língua do mudo cantará de alegria. Águas irromperão no ermo e riachos no deserto. Is 35.5 – 6.
         Esta profecia começa a se cumprir quando o evangelista Marcos retrata: Depois que João foi preso, Jesus foi para a Galiléia, proclamando as boas novas de Deus. O tempo é chegado, dizia ele. O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas! Mc 1.14 – 15.
   A partir daí Jesus Cristo chama os seus primeiros discípulos e começa a implantar o Reino de Deus. Esta tarefa não foi fácil como relata o evangelista Mateus: Mas se é pelo Espírito de Deus que eu expulso demônios, então chegou a vocês o Reino de Deus. Ou, como alguém pode entrar na casa do homem forte e levar dali seus bens, sem antes amarrá-lo? Só então poderá roubar a casa dele. Mt 12.28 – 29.
   A Missão que o Pai dera a Jesus Cristo era formar discípulos e os seus discípulos formar outros e assim por diante. O Reino de Deus deveria ser povoado, mas povoado de discípulos de Jesus Cristo, somente aqueles que vivenciassem o discipulado fariam parte do Reino de Deus. Por isso Jesus Cristo começa dizendo que Toda autoridade me foi dada (Mt 28.18) para prepará-los para irem pelo mundo como mensageiros do Reino e, esta ordem não era uma tarefa impossível, pois foram discipulados pelo Mestre Jesus Cristo.
   É de suma importância entender esta palavra “discípulo” em grego mathetés, o dicionário diz: discípulo, seguidor, aprendiz, pupilo. Quando alguém ouvia esta palavra grega entendia que estava sendo chamado para seguir aquele mestre, portanto quando alguém ouve a chamada de Jesus se torna seu seguidor e faz parte desta característica imitar o seu mestre. No Antigo Testamento temos diversos casos e a palavra correspon-dente era “moço”, por exemplo; Josué era o moço de Moisés, Eliseu era o moço de Elias, em hebraico halak ’aharê literalmente “ir atrás de” como um servo que se subordina a um rabino e o segue por todo lugar onde ele anda, aprendendo dele e, sobretudo, servin-do a ele. Assim discípulo é diferente de aluno, pois, o aluno está interessado apenas no aprendizado, já para o discípulo servir é uma parte essencial da aprendizagem da Lei.
 
 
 
 
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   O alvo de toda a sua aprendiza-gem e treinamento é o conhecimento da Bíblia e a capacidade de praticá-la em toda e qualquer situação. Sem isto será impossível viver piedosamente.  Assim o discípulo se torna um discipu-lador, ou seja; agora ele é um mensa-geiro do Reino. Ser um discípulo, um seguidor de Jesus Cristo não é tarefa fácil. Quando andavam pelo caminho, um homem lhe disse: Eu te seguirei por onde quer que fores, Jesus respondeu: As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça.
   A outro disse: Siga-me. Mas o homem respondeu: Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai. Jesus lhe disse: Deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos; você, porém, vá e proclame o Reino de Deus.
   Ainda outro disse: Vou seguir-te, Senhor, mas deixa-me primeiro voltar e despedir-me da minha família.
   Jesus respondeu: Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus (Lc 9.57– 62).
   Não se trata de aprender modos de conduta, mas uma vocação escatológica de servir o Reino de Deus “que está próximo”, de participar da autoridade de Jesus Cristo e principal-mente estar onde Jesus Cristo estiver.
   Ao aceitar o discipulado significa deixar o “velho homem” para trás, a disposição de aceitar a “cruz” que inclui o sofrimento como o Mestre Jesus Cristo sofreu e não seremos diferentes do nosso mestre.
   Resgatando o pensamento dos artigos anteriores da Figueira, edição nº 128 e 129, observamos que Jesus Cristo primeiro obedeceu tudo que as Escrituras falavam dele e por conse-quência toda a autoridade lhe foi dada (Mt 28.18) e, depois a ordem dele não foi o “Ide”, mas “indo” por onde quer que seja “faça discípulos” (Mt 28.19).
   Para entender esta ordem de fazer discípulos, primeiro tem que reconhecer que foi chamado para ser discípulo de Jesus Cristo e isto sempre inclui a chamada para o serviço. O serviço segundo Marcos 1.17 diz que os discípulos devem ser pescadores de homens, pois tendo em vista a chegada do reino de Deus, os discípulos devem pescar homens para o reino vindouro, pregando o evange-lho e trabalhando em nome de Jesus Cristo, trazendo salvação e paz.
   O dever do discípulo não trata apenas de passar os ensinamentos de Jesus Cristo, mas a essência do disci-pulado está no cumprimento de ser testemunha  do  Senhor  Jesus   Cristo
 
 
durante toda a sua vida, isto é, o seu testemunho de vida deve falar mais alto que os seus próprios ensinos. O discipulado tem a ver com santidade, aprendemos vendo e praticando.
   Concluindo este texto de Mateus 28.18 – 20, Jesus Cristo disse; indo, faça discípulos em todos os povos, batizando-os, ensinando-os todas as coisas que eu vos tenho ordenado. O próprio Jesus Cristo nos fez uma promessa dizendo: E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos. No texto grego temos a partícula enfática idoú que sugere: eis!; presta atenção! Veja, se obedecer-mos ao texto acima Ele estará sempre conosco!
   O Desafio que temos pela nossa frente é fazermos seguidores de Jesus Cristo, imitando o nosso Mestre e ensinando através do nosso testemunho de vida, pois se não sirvo a Cristo, para que sirvo?