O homem tende a errar quando avalia pela aparência. Quando cheguei ao Brasil, em 1956, fui trabalhar na secção de Faturas na Companhia Swift, em Santo André -SP. Logo houveram  comentários dos que lá estavam: “Hum!, entrou por aqui um baiano!”. Mas, ao identificar-me pela pronúncia, todos admirados disseram: “ Ele não é baiano, é portu-gues!”
   Em Brasília, fiz sinal para um táxi. O motorista parou e disse: “Puxa, quando o senhor fez o sinal, estava certo de que era um japonês, agora vejo que o senhor não é um japonês, mas sim, nordestino”. Respondi-lhe: “Duas vezes  errou, eu  não  sou  nem
uma coisa nem outra, sou portugues.”
   Em data recente, dirigia um culto num bairro de Campinas-SP, chamado Vila Ipê. Enquanto eu pre-gava a Palavra, observava-me um garoto dos seus oito anos. Assim que terminei a mensagem, ele perguntou-me: “O senhor é chinês ou japonês?” Difícil identificação. Só Jesus é capaz de, com uma olhada, sondar uma vida e conhece-la no seu todo, conhecê-la no mais íntimo do seu coração.
   Foi assim que, vendo aproxi-mar-se Natanael, apesar de ser a primeira vez que se encontravam, Jesus disse: “Eis um verdadeiro israelita em quem não há dolo.” (João 1:47). Eis um homem sincero, autêntico, correto e puro de alma.  Os homens generalizam sempre, a  partir
de um único traço externo; mas Jesus vê a sempre possibilidade da pessoa, apesar de todos os seus traços.
   Quando tudo na aparência de um homem diz não, Jesus é o único capaz de dizer sim! Porque Ele vê além da aparência e só Ele é capaz de alcançá-lo no mais íntimo do seu ser.
 
- José Zito de Oliveira
(Arauto da Santidade
/Novembro de 1986)