M uito se tem falado sobre missões, da mesma forma muitos paradigmas foram criados e, como uma lavagem cerebral tem feito muitos estragos de difícil reparação nas mentes das pessoas e liderança da igreja de Jesus Cristo quanto ao entendi-mento da ordem dEle para a igreja. Também a eclesio-logia tem deixado a desejar neste aspecto, pois conforme o artigo “A autoridade de Jesus Cristo e missões” publica-do pela revista “Figueira” Ano 10, dezembro/2009, edição 128, pág. 21, nota-se a preocupação do evangelista Mateus com a autoridade de Jesus Cristo. Ele sabia que estava dirigindo seu evangelho aos judeus e eles eram questionadores, por isso ele embasa todo o ministério de Jesus Cristo no Antigo Testamento.
   Há muitos anos na minha caminhada cristã tenho observado muitas mensagens sobre Mateus 28.18-20 e também o correspondente sinótico Marcos 16.14-18 e, ainda o texto de Marcos não faz parte dos manuscritos mais antigos. Assim, confesso que relutei muito em escrever sobre este texto. Nas minhas pesquisas obser-vei que nos muitos livros a questão sobre o “Ide” e sobre o “fazei” eram superficiais, talvez por medo ou ignorância de quebrar os paradigmas existentes que muitos de nós já ouvimos: Temos de obedecer ao “Ide” de Jesus; Missão é o “Ide” por todo mundo; o “Ide” em missões é transcultu-ral, só fazemos missões quando vamos a África, a China, etc.?
   Sabemos que a autoridade de Jesus Cristo é inquestionável, recebemos uma ordem explícita dele. Quando um general dá uma ordem para o seu exército ninguém questiona ou negocia a sua ordem, mas obedece. Nós os cristãos sempre questionamos ou obedecemos parcialmente, parece ser uma questão de conveniência individual, isto é; fazemos o que julgamos ser mais interessante à visão individual de cada líder. Desta forma como deveremos entender o versículo 19 de Mateus 28?
   Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; o verbo traduzido como “IDE” em grego é poreuthentes e, não existe divergência quer no texto crítico grego ou no texto receptus, ele é apresentado da mesma forma nos dois. Este verbo não está no modo imperativo, está no particípio e, a tradução segundo a gramática deveria ser “Indo”.  Para uma comparação o “batizando” e o “ensinando” estão na mesma forma do “indo”. O particípio é um adjetivo verbal e pode ser interpretado tanto como verbo ou como um adjetivo verbal, por isso flexionado. Independente destas ques-tões gramaticais que não interessam a muitos, a tradução continua sendo “Indo”.
   A pergunta a fazer diante disto é: O que Jesus Cristo quis dizer; primeiro dizendo que tem autoridade em qualquer lugar e depois com o “Indo”? Para responder esta pergunta será necessário avançarmos para o próximo verbo, “fazei discípulos de todas as nações”, “fazei” - matheteúsate - este verbo sim está no imperativo, portanto a ordem é “Faça discípulos”, a igreja deve obedecer esta ordem sem questionamentos ou conve-niências, mas o que seria fazer discípulos? Isto será respondido no próximo artigo.
   A nossa questão básica é responder o que é este “Indo” de Jesus Cristo. Indo quer dizer uma ação contí-nua, isto é; em constante movimento. Se nós estamos vivendo e vivendo é continuidade, devemos entender que o indo está relacionado com a nossa vida, a nossa forma de viver. Filosoficamente a nossa vida é uma rotina diária, dormimos, acordamos, levantamos, vamos para o traba-lho, para escola etc, voltamos para casa e dormimos novamente. Assim o que Jesus Cristo está dizendo a cada um de nós é o seguinte: Levantando indo a padaria “faça discípulos”, indo ao trabalho “faça discípulos”, indo a escola “faça discípulos”, indo viajar “faça discípulos”, indo ao hospital “faça discípulos”, indo no presídio “faça discípulos”, indo a igreja “faça discípulos”, onde quer que formos a ordem é “faça discípulos” de Jesus Cristo.
   O “Indo” tem a ver com a nossa vida diária, com a nossa prática, com as nossas necessidades, deve ser o resultado do cristão genuíno que entende que Cristo habita no seu interior, não se trata de obedecer a uma ordem, mas de fazer o que está no coração e isto por opção própria, não por coação, mas por desejo ardente, algo que necessita fazer como, por exemplo: alimentar-se, as necessidades fisiológicas etc. Assim é o viver do discípulo de Jesus Cristo, que procura agradar o mestre e, agradar somente é possível quando antecipamos à ordem, isto é; a nossa alegria é fazer a vontade de Jesus Cristo antes que ele nos ordene.
   Concluindo, Jesus Cristo veio a este mundo em primeiro lugar resgatar a autoridade que Adão havia perdido; com isso Deus lhe deu toda a autoridade para nos ensinar através da sua vida, o seu ministério era itinerante, ou seja; estava em constante movimento “Indo” e, aonde ia gerava seguidores, e seus seguidores trouxeram o Evangelho até nós do século XXI, e você está fazendo discípulos de Jesus Cristo? O mundo está perdido e necessita de salvação e, salvação não é apenas pregar o evangelho, mas “fazer discípulos”.