E m algum ponto do de-serto, o povo de Israel se queixou do maná diário e demonstrou o desejo de comer carne.
   Deus prometeu carne em abundância. A pergunta de Moisés - “Onde haveria  tantas ovelhas e vacas para matar a fim de que todos ficassem satisfeitos? (Nm 11:22) - é igual à pergunta  dos discí-pulos antes da multiplicação dos pães e peixes: Como vamos encontrar neste lugar deserto comida que dê para toda essa gente? (Mc 8:4)
   Em ambas as oca-siões houve fartura de comi-da. Em um caso, a multidão saciou a fome, ficou satisfei-ta, e ainda sobraram sete cestos; no outro, a multidão nutriu a gula e ficou incomo-damente empanturrada.
   No caso dos israeli-tas, as codornizes que caí-ram no acampamento e arre-dores, a uma distância de 30 quilometros, cobriram o chão em montes de quase um metro de altura. O povo gas-tou aquele dia, toda a noite e o dia seguinte para colher e arrumar toda a carne.
   Ninguém juntou me-nos de mil quilos. Era carne para encher o estômago de 600 mil pessoas durante um mês.
   A nutricionista Eveline Monteiro Cordeiro de Azere-do, da Universidade Federal de Alfenas - MG, aventurou-se a fazer alguns cálculos e concluiu o consumo  diário de carne para a quela população seria de 60 mil quilos (toman-do por base uma ingestão de 100 gramas por pessoa). Se fosse carne bovina, seria necessário sacrificar dia-riamente cerca de 950 bois, pesando em média 190 quilos cada um.
   Para esse cálculo considerou-se o rendimento de 40% de carcaça e foi utilizado um fator para esti-mar o peso líquido da porção comestível. Em se tratando de peixe, um raciocínio se-melhante mostra que seria necessário  apanhar  todos os dias 41 mil peixes de dois quilos. Se o alimento fosse frango, seria necessário aba-ter 56 mil aves  de aproxima-damente um quilo e meio diariamente.
   Parece que a expe-riência custou caro e não teria valido a pena!
 
(Extraído de Ultimato nº 319 - Ano XLII)  
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